História de guerra – 16 de dezembro

Como você caiu dos céus, ó estrela da manhã, filho da alvorada! Como foi atirado à terra, você, que derrubava as nações! Isaías 14:12

Era uma vez uma vila perdida num continente. Isolado de todos, o povo não sabia o que existia e ocorria em outras partes do mundo. De vez em quando, ouviam-se rumores de acontecimentos em outras terras, mas ninguém podia com­provar se o boato era verdade.

As coisas corriam bem. Os camponeses lavravam a terra, cultivavam tomates, plantavam vinhas, tosquiavam ovelhas, tiravam leite, faziam queijos e até fabrica­vam ótimos chocolates. A vida passava devagar, e todos viviam em paz. Os jovens gostavam de ser responsáveis, e os anciãos apreciavam ser respeitados. Porém, um dia as coisas mudaram. Homens uniformizados apareceram. Passaram pelos cam­pos como gafanhotos. Plantações foram destruídas; moças, violentadas; crianças, mortas por estilhaços. Jovens partiram, mulheres ficaram viúvas.

Enquanto a guerra avançava, alguns diziam que o conflito era local, outros especulavam sobre sua abrangência, mas ninguém conhecia ao certo os misté­rios de sua origem. Então viajantes revelaram que o conflito não havia começado ali. Era muito mais amplo do que parecia. As batalhas locais eram parte de uma guerra global. Povos haviam sido envolvidos sem querer, inúmeras pessoas inocen­tes tinham morrido sem saber o motivo e milhares ainda iriam morrer.

A rebelião de um súdito, que acusara o Rei de ser ditador, jogara o mundo inteiro no conflito. Um poeta escrevera: “Como você encheu o mundo de violência, ó prín­cipe amado! Você foi feito para ficar junto ao trono. Era o modelo de perfeição. Como deixou o desejo de grandeza dominar seu coração? Olhe de onde você caiu!”

Os moradores da vila nunca entenderam, em detalhes, as causas e implicações da guerra, mas o que sabiam era suficiente para ter ideia da natureza do conflito e decidir que lado apoiar. Os mais espertos perceberam que, assim como o início da guerra havia sido longe dali, o fim também dependia de decisões e ações de fora. Imagem e reputação, propaganda e contrapropaganda, espionagem e relatos dos campos de batalha, tudo isso fazia parte do cenário bélico.

Então um dia, depois de muita destruição, o arauto tocou a trombeta e anun­ciou que a guerra havia acabado. Os namorados se beijaram, os velhos sorriram, os heróis voltaram para casa, a vila festejou. Por fim, aqueles que haviam lutado brava­mente em nome do Rei receberam honrarias no grande palácio, na capital do reino.

Assim começara e assim terminara a melhor e a pior história de guerra de todos os tempos.

IJB - Atrair, Acolher, Envolver e Comprometer
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